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terça-feira, 9 de março de 2010

Cinematiquices - "Alice no País das Maravilhas"

Um dos filmes mais aguardados do ano já estreou nas salas portuguesas: Alice no País das Maravilhas. Desta vez conduzida e reinventada pela mão de Tim Burton, num filme que dilata e estende o universo criado por Lewis Carrol.
Num primeiro plano, aparece a versão de Carrol. Alice é uma menina assombrada por sonhos e depois, já com 19 anos, é pedida em casamento em frente a centenas de pessoas. Esta sai, deixando o pretendente noivo especado, e segue o Coelho Branco, volta a cair no buraco e é aí que do outro lado do espelho está o universo de Tim Burton.
O realizador não é totalmente fiel aos livros. Burton atravessa cada capítulo, prolonga e reinventa a história ao seu gosto. A Wonderland transforma-se em Underland e conhecemos um darkside da história.
É um filme cheio de estrelas. Johnny Depp está para Burton, como Di Caprio para Scorsese. Depp veste a pele de Chapeleiro Louco, que segundo  as palavras do actor "tem o coração no exterior". Uma personagem  perturbada e com uma complexidade já conhecida em Eduardo Mãos de Tesoura.
Quase irreconhecível está Helena Bonham Carter num extraordinário desempenho da terrível Rainha Vermelha que subjuga tudo e todos. Não esqueçamos a sua antagonista, a Rainha Branca, protagonizada por uma das maiores promessas da nova geração de actores: Anne Hathaway.
E, por fim, Alice no corpo de Mia Wasikowska, que esteve à altura do papel atribuído.
A música, mais uma vez, está a cargo de Danny Elfman, a 13ª parceria com Burton, parceria essa, só comparada a  Angelo Badalamenti e David Lynch.
Há quem diga que Tim Burton seja capaz do melhor e do pior. Na minha opinião, ele é sempre capaz de mais e melhor. Esqueçamos, porém, Marte Ataca ou Beetle Juice (mesmo com o fantástico desempenho de Michael Keaton), ficando só o que de melhor o realizador fez ao seu estilo: uma mistura ténue de punk com dark e personagens outsiders. O próprio Bruce Wayne de Batman e Batman Regressa sente-se à margem da sociedade. ´
Um filme imperdível!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cinematiquices - Óscares 2010

E o grande derrotado da noite foi Avatar. Depois de todos os recordes batidos, Avatar chegava aos Óscares como o grande favorito. Transformou-se numa "Torre de Babel" do Cinema, supera recordes de bilheteira e orçamentos, mas perdeu. Perdeu para um filme que passou despercebido no mundo inteiro,  que não teve distribuidora e que nunca um filme nomeado tivera tão pouca assistência nas salas de cinema em todo o mundo. Refiro-me, obviamente, a Estado de Guerra. A crítica foi unânime em considerá-lo um grande filme. Bigelow ainda se torna na 1ª mulher a receber o óscar de Melhor Realização. Estado de Guerra arrecadou no total seis óscares. Avatar arrecada três óscares, todos eles nas categorias técnicas.
Tarantino vê só um óscar, segundo o próprio, ser atribuído à sua "obra-prima". Christopher Waltz sai vencedor na categoria de Melhor Actor Secundário, num desempenho magnífico e genial em Sacanas Sem Lei. Sem surpresa é o óscar de Melhor Actriz para Sandra Bullock no filme Um Sonho Possível, num registo dramático surpreendente, pouco vulgar na actriz (excepção para 28 Dias), destornando assim Meryl Streep, nomeada pela 16ª vez e premiada 2 vezes. Mas Meryl Streep já não precisa de óscares, já está na "estratosfera" do cinema e que, segundo muitos é a maior actriz viva de Hollywood o que na minha opinião não sofre qualquer tipo de hipérbole.
Sem surpresa, Jeff Bridges vence a categoria de Melhor Actor em Crazy Heart, num filme que esteve para ir directamente para DVD, numa categoria em que dificilmente ganharia George Clooney que não é, de todo, um actor brilhante, mas sim um actor eficaz.
Mo'Nique leva para casa o óscar de Melhor Actriz Secundária por Precious. O mesmo filme é vencedor do Melhor Argumento Adapatado. Up vence no Melhor Filme de Animação.
Surpresa foi o vencedor do Melhor Filme Estrangeiro para El Secreto de Sus Ojos (Argentina) destornando o favorito O Laço Branco de Michael Haneke, vencedor em Cannes. Parece-me que o Cinema Europeu está a perder terreno nos EUA para o Cinema da América Latina.
Na apresentação, Alec Baldwin e Steve Martin que, apesar de terem estado muito longe da apresentação do ano passado feita por Hugh Jackman, conseguiram causar algum entretenimento.
Aqui fica a lista completa dos vencedores:

Melhor Filme
Estado de Guerra
Melhor Actor
Jeff Bridges - Crazy Heart
Melhor Actriz
Sandra Bullock - Um Sonho Possível
Melhor Realizador
Kathryn Bigelow - Estado de Guerra
Melhor Filme Estrangeiro
El Secreto de Sus Ojos, Argentina
Actor Secundário
Christoph Waltz, Sacanas Sem Lei
Actriz Secundária
Mo'Nique, Precious
Argumento Original
Mark Boal, Estado de Guerra
Argumento Adaptado
Geoffrey Fletcher, Precious
Filme de Animação
Up, Pete Docter
Direcção Artística
Avatar
Melhor Guarda-Roupa
The Young Victoria
Melhor Maquilhagem
Star Trek
Melhor Cinematografia
Avatar
Melhor Documentário
The Cove
Efeitos Visuais
Avatar
Edição de Som
Estado de Guerra
Mistura de Som
Estado de Guerra
Edição de Filme
Estado de Guerra
Banda-sonora Original
Up
Canção Original
The Weary Kind, Crazy Heart

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cinematiquices - Filme "Ágora"



 A história de Ágora passa-se no séc. IV D.C., num Egipto transitório devido à queda do Império Romano.
Hypatia, interpretado soberbamente por Rachel Weiz, é uma filósofa que luta pela preservação da Sabedoria Antiga num mundo em que a religião se impõe sem tréguas e não se apercebendo que o seu escravo,  Davus, está perdidamente apaixonado por ela. Este sente-se divido entre o amor de Hypatia e a liberdade que o Cristianismo lhe pode oferecer.
Mesmo tendo um orçamento elevado, Ágora não deixa de ser um filme europeu. Alejandro Amnébar (Os Outros, Mar Adentro) traz-nos um filme épico e transporta-nos aos primórdios do Cristianismo.
Talvez o realizador pudesse ter explorado o triângulo amoroso entre Hypatia, Davus e Orestes (discípulo de Hypatia), mas não era isso que se pretendia. Atrevo-me a dizer que é mais um filme com um bisturi afiado nas memórias de um dos lados  negros do Cristianismo e na forma como se impôs. Amnébar poderá ser acusado de fazer um ataque à religião cristã, mas penso que o foco da questão e onde ele próprio se centrou foi no repúdio a qualquer tipo de extremismo.
Sem nenhuma máquina de marketing por detrás, provavelmente será um filme para cair no esquecimento. Mas quem o viu saberá que dificilmente o esquecerá.
Finalmente, fez-se justiça a Hypatia, uma grande filósofa e que deu um contributo importantíssimo na Matemática e Astronomia.
Com Ágora, Amnébar prometeu que a audiência vai ver, sentir e cheirar uma civilização antiga como se fosse tão real quanto hoje. E cumpriu!!!